18ª Troféu Raça Negra: Viviane Ferreira, Celso Athayde e Hiran Athayde de Oliveira, filho de Luiz Melodia, marcaram presença na cerimônia

O evento lembrou e homenageou nomes nacionais e internacionais que, de diferentes formas, contribuem para a promoção da igualdade racial na sociedade.

Realizado pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobras, a 18º edição do Troféu Raça Negra aconteceu, virtualmente, na noite da última quinta-feira (19). Transmitido ao vivo, pela plataforma digital da Virada da Consciência, e com cerimônia restrita a poucos convidados respeitando todos os protocolos de segurança, as 11 personalidades condecoradas da edição marcaram presença virtual ou presencialmente na cerimônia.

Maria Gal e Thaíde

Pela segunda vez, a atriz e produtora de conteúdo, Maria Gal, e o apresentador e rapper, Thaíde, subiram ao palco como mestres de cerimônia. Após as boas-vindas aos convidados e internautas que acompanhavam a transmissão, pela plataforma virtual da Virada, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, subiu ao palco para a fala de abertura oficial.

“Essa é uma noite da alegria. Da constatação do que foi um ano difícil para todos nós, mas também do que tem sido os anos difíceis para o nosso tema, para a nossa história, paro o nosso pertencimento e, também, das nossas conquistas. Mas, ainda assim, é preciso celebrar, comemorar, homenagear àqueles que, mesmo nas dificuldades desse ano atípico, não nos deixaram só, nem por um minuto, e àqueles que com sua história de vida continuam sendo, principalmente nesse momento, o farol que nos ilumina, que nos empurra e que nos motiva a continuar a luta e seguir em frente!”, destacou o reitor.

Viviane Ferreira, Celso Athayde e Hiran Athayde de Oliveira, representando o pai, Luiz Melodia – homenageado da edição, fizeram questão de receber a estatueta do Troféu Raça Negra em mãos. Confira, abaixo, trechos dos discursos realizados por eles no palco. Também receberam a condecoração: Benedita da Silva; Emicida; George Floyd; Jaqueline Goes de Jesus; Luana Génot; Luís Roberto Barroso; Luíza Helena Trajano; e Paulo César de Oliveira. 

Hoje, dia 20, em que se celebra o Dia da Consciência Negra, a premiação será exibida, a partir das 22h, na TV Cultura. As empresas patrocinadoras dessa edição são: Bradesco, Coca-Cola, EMS e Santander Universidade.

Homenageados

A 18ª edição do evento, considerado pioneiro e que incentivou tantos outros a reverenciar as conquistas do povo negro, homenageou o cantor e compositor Luiz Melodia. Além da presença do filho mais velho do eterno “Negro Gato”, Hiran, os artistas Paula Lima, acompanhada pelo pianista Gabriel Fernandes; Tony Gordon; Simoninha, acompanhado pelo pianista Michel Lima; e Pedro Luís enviaram mensagens de carinho através de vídeos depoimentos e interpretaram canções marcantes e emocionantes de Melodia.

A noite também ficou marcada pela homenagem à George Floyd, morto pela polícia americana em maio deste ano. O irmão de Floyd, Philonis Floyd, participou da cerimônia através de um vídeo depoimento, em que agradeceu e reforçou a importância de se dar continuidade a ações que celebrem a negritude. 

“É uma honra estar aqui falando com vocês. Gostaria de agradecer a oportunidade em receber, por George, o reconhecimento em encontrar um caminho de justiça nos EUA. Entendo toda a luta no Brasil e nos juntamos a todas elas, por todos os brasileiros que continuam lutando com a certeza de que todas as vidas importam com total igualdade.  Estamos honrados pelo apoio e muito agradecidos!”, declarou Philonis.

Floyd, além de ser um dos condecorados do Troféu 2020, é também o tema central de debate da Virada da Consciência, que propõe, nesta edição, uma reflexão em torno do racismo estrutural existente na sociedade. A Virada segue com programação digital até dia 22 (domingo), www.viradadaconsciencia.com.br.

Condecorados do 18º Troféu Raça Negra:

Hiran Athayde de Oliveira

Luiz Melodia: Nascido no morro do Estácio (RJ), começou sua carreira em 1963 e, em 1973, lançou seu primeiro disco “Pérola Negra”. Sua carreira se consolida no disco seguinte “Maravilhas Contemporâneas”, popularizado pela canção “Mico de Circo” (1978). Nas décadas seguintes, Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais.

“Agradeço a honra, por lembrarem do meu pai, que era um grande entusiasta dessa luta por igualdade e que levava amor por onde ia. Muito obrigado!”, Hiran Athayde de Oliveira.

“Estamos emocionados pela lembrança da Universidade, da Afrobras. São todos muito queridos, pessoas com quem desenvolvemos amizade ao longo dos anos. O Luiz deve estar maravilhado assistindo tudo isso, feliz! Com certeza, se ele estivesse aqui, iria querer carregar todos para São Paulo para estarem por perto”, Jane Reis.

George Floyd: Americano, nascido na Carolina do Norte, Floyd era adepto de esportes como o basquete e o futebol americano. Dentre várias atividades, George também era rapper e tinha o nome artístico de Big Floyd, com o qual realizou trabalhos com o grupo texano Screwed Up Click.

Benedita da Silva: Servidora pública, professora, auxiliar de enfermagem, assistente social e política brasileira. Benedita já foi senadora e governadora pelo Rio de Janeiro e, atualmente, é deputada federal.

“Obrigada, faculdade, por esse prêmio. Obrigada Afrobras, obrigada reitor. É uma honra poder receber mais uma vez o nosso Oscar negro. Zumbi vive e manifestou-se entre nós nessas eleições, com mais negros e negras quilombolas eleitos nas prefeituras e nas câmaras. Meu grande abraço! Zumbi vive e vamos à luta!”.        

Celso Athayde: Empresário, produtor de eventos e ativista social. É o fundador da Central Única das Favelas (CUFA), maior organização não governamental focada nas favelas do Brasil e presente em mais de 17 países.

“Num momento como esse, muitas coisas podem ser ditas, mas o muito obrigado pelo reconhecimento é o mais importante. Esse prêmio é de toda a CUFA, estou sendo reconhecido por todos os envolvidos. Enquanto existirem pessoas como o professor José Vicente eu vou continuar acreditando que esse país tem jeito.”


Emicida:
Leandro Roque de Oliveira, paulistano nascido em 1985, é rapper, cantor e compositor. O nome Emicida é a junção das palavras “MC” e “Homicida”, referências às suas constantes vitórias em batalhas de improvisação.

“Minha gratidão. Eu sou um grande conhecedor da história e admirador de quem faz esse prêmio acontecer. É uma grande honra receber esse prêmio, vindo de uma Universidade que traz o nome de Zumbi dos Palmares”.

Jaqueline Goes de Jesus: Biomédica e pesquisadora que se destacou por ter sido uma das coordenadoras da equipe responsável pela sequenciação do genoma do vírus SARS-coV-2, 48 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país.

“Acredito que esse troféu é reconhecimento por um trabalho que ficou conhecido durante a pandemia, mas que eu venho desenvolvendo há muito tempo. É um incentivo para que, meninas e jovens mulheres negras, saibam que é possível, sim, chegar. Com educação e oportunidades podemos alcançar posições antes não pensadas para nós. Dedico esse troféu a minha família, que acreditou na educação, mas também aos meus ancestrais e a todas as mulheres que lutaram para que, hoje, eu pudesse estar o recebendo”.

Luana Génot: Empresária, jornalista e ativista pela igualdade racial, fundadora do Instituto Identidades do Brasil e idealizadora da campanha “Sim à Igualdade Racial”.

“Que felicidade ter sido reconhecida! É um prazer, uma honra imensa, receber esse prêmio ao lado de tantos outros nomes. Pelo sim à igualdade racial. Muito obrigada, vamos juntos nessa luta que é nossa!”

Luís Roberto Barroso: Jurista, professor e magistrado brasileiro, é o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Obrigado pela honra que me dão ao me concederem esse troféu. Sou um parceiro pela igualdade racial e social no Brasil. A população negra participou da construção desse país, mas sem o devido reconhecimento, então, sou parceiro nessa reparação histórica. A luta continua!”.

Luiza Helena Trajano: Formada em Direito, é empresária e comanda a rede varejista Magazine Luiza.

“Agradeço pelo trabalho feito pela Universidade em prol da igualdade racial. A luta é árdua, difícil, mas, juntos, somos fortes. Contem comigo sempre!”

Paulo Cesar de Oliveira: Ex-árbitro de futebol do quadro da FIFA e, atualmente, comentarista de arbitragem na Rede Globo de Televisão.

“Para mim é uma honra receber essa premiação. Parabenizo a Afrobras pelo incansável trabalho de empoderamento dos nossos jovens negros e dedico esse prêmio à minha mãe, Tereza de Jesus Oliveira, que faleceu na última sexta”.

Viviane Ferreira

Viviane Ferreira: Advogada, ativista e cineasta. É conhecida por seu curta-metragem “O Dia de Jerusa”, uma das fundadoras da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, da qual também é presidente, e da Odun Filmes.  

“Quero agradecer a nossa ancestralidade, dar boa noite à Dandara, à Aqualtune, que estiveram ao lado de Zumbi e que o ajudaram a construir o quilombo de Palmares. Agradeço a familia APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro) e todos os integrantes do movimento do cinema negro brasileiro. Estamos lutando para ter narrativas menos estereotipadas e, ter o reconhecimento da nossa comunidade, é o maior reconhecimento que poderíamos ter!”.